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[37] Dissertar sobre a Virga Ardentis (II)


Entretanto, Cloridia tinha esticado um braço atrás de si e, pegando na mão com que a penteava, puxara-me para seu lado. Depois, encostou levemente a cabeça ao meu peito e suspirou.

- Agora, tens de me desenriçar os cabelos da nuca, mas sem me magoar: as riças da nuca são mais encaracoladas, mas também mais frágeis e sensíveis.

Dito isto, fez-me sentar à frente dela, em cima da cama alta, e pôs a cabeça no meu regaço, de cara para baixo, mostrando-me o pescoço. Ainda atordoado e confuso, senti nas virilhas o calor da sua respiração. Recomecei a pentear-lhe os caracóis. Sentia a minha cabeça completamente vazia.

- Ainda não te expliquei como usar a verga com sucesso – recomeçou lentamente, enquanto a sentia a acomodar-se melhor na sua posição. - Antes de mais, é bom que saibas que a natureza apenas utiliza um único mecanismo em todas as suas operações, e só ela pode explicar o movimento da verga. Em primeiro lugar, é necessário mergulhar a ponta da verga numa matéria qualquer, possivelmente húmida e quente (como o sangue ou outros humores), que esteja relacionada com quanto se procura. Isto porque o tacto, por vezes, descobre aquilo que os olhos não podem. Depois, pega-se na verga entre dois dedos e coloca-se à altura do ventre. Também se pode pôr em equilíbrio no dorso da mão, mas a meu ver não funciona. Depois, deve-se prosseguir na direcção em que se pensa esteja o que procuramos. Vai-se para a frente e para trás, para cima e para baixo várias vezes de modo a que a verga se entese; e, assim, tem-se a certeza de que a direcção embocada é essa mesmo. A inclinação da verga, de facto, é a mesma da inclinação da agulha da bússola: responde a uma atracção magnética. O importante, com a verga, é nunca agir bruscamente, caso contrário rompe-se o volume de vapores e exalações provenientes do lugar procurado e que, impregnando a verga, fazem-na empertigar-se na direcção certa. De vez em quando, é bom ter nas mãos os dois cornos que estão na base da verga, mas sem apertar em demasia e de modo a que a parte superior da mão esteja virada para o chão e a ponta de verga esteja sempre apontada para a sua finalidade. Por outro lado, também é bom que saibas que a verga não se movimenta nas mãos de todos. É preciso um dom particular e muita arte. Por exemplo, não se movimenta nas mãos de quem tem uma transpiração de matéria grosseira, rude e abundante, uma vez que tais corpúsculos vão romper a coluna de vapores, exalações e fumos. Mas por vezes, também acontece que a verga não se move nas mãos de quem já a utilizou com sucesso. Não é que isso alguma vez me tenha acontecido, por amor de Deus. Mas pode acontecer algo que altere a constituição de quem tem de manejar a verga e lhe faça fermentar o sangue com maior violência. Pode haver algo na comida ou no ar que produz sais acres e ácidos. Ou então, um trabalho demasiado violento, vigílias nocturnas ou estudo, podem criar uma transpiração acre e rude que passa das mãos para os interstícios da verga e confunde o caminho à coluna dos vapores, impedindo-a de se mover. Isto porque a verga funciona como catalisador dos corpúsculos invisíveis, como um microscópio. Se visses o espectáculo que é quando a verga, finalmente, alcança...

Cloridia calara-se. Cristofano tinha batido à porta.

- Pareceu-me de ter ouvido um grito. Está tudo bem por aí? – perguntou, ofegante, o médico, que tinha subido as escadas a correr.
- Nada de preocupante. O nosso pobre aprendiz aleijou-se ao ajudar-me, mas não foi nada de importante. Saúdo-vos, senhor Cristofano, e obrigada – respondeu Cloridia com subtil hilaridade.

Eu tinha gritado. E, nesse momento, exausto de prazer e vergonha, jazia deitado na cama de Cloridia.

(R. Monaldi & F. Sorti (2004). Imprimatur. O segredo do Papa. Lisboa. Ed. Presença, 389-394).
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