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[54] Quatro coisas importantes

Um dos livros que li, de um fôlego, em Agosto passado – depois de uma estadia estimulante em Alfafar (voltarei ao tema mais adiante) – foi Barbárie da ignorância, da Fim de Século, numa tradução (boa) de Miguel Serras Pereira. O livro mais não é que a transcrição de programas de rádio difundidos pela France Culture. Protagonistas: Antoine Spire (jornalista e director, durante vinte e quatro anos do programa radiofónico Staccato)), no papel de entrevistador, e George Steiner (docente universitário, filósofo da linguagem e da tradução, crítico literário e ficcionista), no de entrevistado. A certa altura, Steiner diz:

No tempo de Brejnev – já não era o pior; era ainda gravíssimo, mas já não era o regime de Estaline -, havia uma jovem mulher russa numa universidade, especialista em literatura romântica inglesa. Essa mulher jovem foi metida numa cela, sem luz, sem papel nem lápis, na sequência de uma delação idiota e completamente falsa, não é preciso dizê-lo. Sabia de cor o Don Juan de Byron (trinta mil versos, ou mais). No escuro, põe-se a traduzi-lo mentalmente em rimas russas. Quando sai, depois de ter perdido a vista, dita a tradução a uma amiga: é hoje a maior tradução russa de Byron.
Perante isto, digo a mim mesmo várias coisas, e, para começar, que o espírito humano é indestrutível, totalmente. Em segundo lugar, que a poesia pode salvar o homem. Até mesmo no impossível. Em terceiro lugar, que uma tradução, apesar da sua imperfeição humana, traduz aquilo que traduz, o que é uma outra maneira de dizer que a linguagem e a realidade mantêm uma relação que as liga. E, em quarto lugar, digo-me que devemos sentir uma grande alegria.

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